Amigos da Serra cobra atitude contra queimadas na Promotoria do Meio Ambiente
Fogo já devastou cerca de 30% do trabalho de oito anos da ONG Amigos da Serra
A Associação Civil Ambiental “Amigos da Serra” reuniu a diretoria esta semana para traçar os planos de ações futuras correspondentes à semana do meio ambiente, em setembro. Porém, a alta incidência de queimadas na área urbana e principalmente em canaviais que margeiam a Serra do Jabuticabal tornaram-se o foco principal do encontro.
Para se ter uma ideia da gravidade do assunto, cerca de 30% do reflorestamento realizado pela “Amigos da Serra” nos últimos oito anos já foram completamente devastados e ainda não se sabe da procedência do fogo e muito menos quem seria o responsável pelo crime ambiental. A informação é da diretora técnica da ONG, Carla Ogata, que fez a contas e avalia a perda de pelo menos 30 mil árvores adultas em uma área de aproximadamente 20 hectares, ou seja, um espaço que caberia tranquilamente quase 15 estádios do tamanho do Taquarão, de Taquaritinga.
Essa queimada ocorreu em junho, mesmo período em que outra queimada proveniente de um canavial consumiu boa parte do ‘pé’ da Serra, nas proximidades da Fazenda Contendas. Naquele local, mais de 100 mil árvores foram plantadas em parceria com a Concessionária Triângulo do Sol, agricultores e a ONG. A Área de Preservação Permanente foi objeto de Termo de Ajustamento Conduta protocolada no Fórum local.
Já nesta semana, entre terça e quarta-feira (21), o Corpo de Bombeiros de Taquaritinga também registrou novos focos de queimadas em áreas protegidas por lei como em uma das nascentes do córrego Ribeirãozinho, a poucos metros dos bairros Vale Formoso e Inocoop. Caminhões pipas de uma usina de cana-de-açúcar também ajudaram na contenção das chamas. A Polícia Ambiental, apesar de ter sido acionada por membros da ONG e pela população, não compareceu no local.
Agora, segundo Carla Ogata, os bombeiros deverão registrar o caso para ser encaminhado à curadoria do Meio Ambiente. Só assim, segundo ela, as autoridades deverão abrir inquérito para apurar a responsabilidade do crime. “Elaboramos três ofícios que serão encaminhados à Promotoria do Meio Ambiente”, diz Carla. O objetivo dos documentos é o de cobrar atitudes pertinentes à promotora do Meio Ambiente, Daniela Baldan Rein.
“Gostaríamos de reunir todos os setores envolvidos como o produtivo, no caso das usinas, ambientalistas, população civil e a autoridade judicial, no que diz respeito à ações contra as queimadas criminosas e até controladas”, explicou a diretora técnica. Ela também informa que a providência precisa ser tomada rapidamente, uma vez que a região onde fica situada Taquaritinga deverá enfrentar um período de mais dois meses, no mínimo, de estiagem e seca. “Esse tempo facilita a propagação das queimadas, o que tornam necessárias atitudes urgentes sobre o caso”, conclui.
Créditos: Tribuna
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